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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A Síndrome do Castelo de Areia


Sábado à noite. Num restaurante qualquer, um grupo de amigos se entretém decidindo que pratos pedir, já que apenas o valor da comida será dividido entre todos. Uma das jovens à mesa comenta que, sendo vegetariana, ficaria de fora do pagamento coletivo para escolher algo que correspondesse ao seu estilo de vida. Não começa nenhum discurso sobre assassinatos, crueldade contra os animais, testes de laboratório: faz sua constatação com poucas palavras, pacificamente.

Contudo, o comentário inofensivo provoca indignação do outro lado da mesa. Um rapaz não hesita em discursar em tom de escárnio sobre como vegetarianos são arrogantes e como tal comportamento não faz sentido. Palavras agressivas e autoritárias jorram de sua boca e ninguém parece se importar, nem o próprio enunciador – para ele, a violência da opinião displicente passa despercebida. A moça, surpresa pelo ataque gratuito de um desconhecido, recolhe-se num silêncio que mistura constrangimento e raiva.

Quem me dera a cena tivesse sido inventada.

Não sou vegetariana, e essa não é a questão. O problema no qual me concentro ao presenciar momentos assim é a tendência facilmente observável – e por isso, infelizmente, banalizada - da intolerância, da necessidade de imposição das crenças individuais. Mero exemplo entre muitos, muitos outros.

Não existem assuntos não-discutíveis: existem pessoas que não sabem discutir. É saudável e necessário que ideologias – políticas, religiosas ou futebolísticas – sejam, sim, alvo de debate. É justamente do questionamento que evoluem as ideias, que se entende melhor o mundo. Vivemos, entretanto, na era da velocidade e do conformismo. Chamo a esse conjunto perturbador de Síndrome do Castelo de Areia.

Segundo essa teoria inventada impulsivamente numa tarde de terça-feira, há pessoas infelizes no mundo. Dentre essas pessoas, algumas – afogadas em sua mediocridade – não enxergam forma fácil de melhorar a própria vida. Normalmente a solução demanda mudança, que por sua vez exige energia e auto-crítica. É muito mais fácil, convenhamos, deixar-se arrastar pela inércia de uma rotina acinzentada.

Mas nem tudo é perfeito. Alguns seres humanos, inquietos, desenvolvem um raciocínio e um comportamento que vai contra a ordem pré-estabelecida. Não necessariamente o tipo de adversidade que interfere na vida de outrem, bastando a singularidade que de fato diz respeito ao seu praticante: pode ser da forma de se vestir à preferência sexual. Basta tal cenário para que entre em cena a síndrome: uma parte das pessoas do parágrafo anterior, deparando-se com o incomum, sente um desejo incontrolável de condenar tudo que não compreende.

Não é fácil construir uma visão pessoal embasada. Cada pergunta, resposta e dúvida demoram a solidificar-se; tempo, leitura, experiência e outros fatores, pouco a pouco, podem construir de fato uma estrutura tão complexa quanto um castelo de areia. E não é fácil, por sua vez, construir um castelo: a areia é traiçoeira, e cada escultor imprime em sua obra tantas peculiaridades quanto é capaz. Sua imponência é adquirida pouco a pouco, e o artista desenvolve naturalmente um amor por sua obra.

E então chega o intruso, juiz da vida alheia. Não é de sua natureza apreciar a beleza singular da escultura, e buscar em seus recantos o encanto de um universo novo. O único desejo que irrompe em seu peito é o da destruição: ele quer, de qualquer jeito, por o castelo abaixo. Olha discretamente para trás, lembra-se da pobre pilha de areia que o aguarda em seu retorno triste e vazio e não hesita em seu ímpeto de ódio.

Se o carrasco não é frustrado por sua falta de bagagem, então está tomado por uma egolatria que sussurra em sua mente que toda e qualquer pessoa tem obrigação de fazer uma cópia fiel de seu castelo, porque através de uma lógica louca chegou à conclusão de que sua visão é a única “correta”.

E lá vai o demolidor – criança mimada travestida de adulto sóbrio – seguir seu impulso cego, sem admitir que um monumento erigido com tanto trabalho não será desfeito por um desejo infantil. O único efeito de fato é a reação de quem assiste ao ataque – reação essa que, obviamente, nunca será positiva.

Não é que todo castelo seja revestido de um caráter sagrado e intocável: simplesmente subestima-se a importância de nossas verdades humanas. A vida é uma grande lacuna sem sentido, e não há quem sobreviva a ela sem preenchê-la com seus próprios pilares, sejam eles a filosofia ou a televisão. Sem nossas ilusões e convicções para sustentar-nos, desabaríamos perante a enormidade do Universo e a pequenez de nossa existência.

Muitas vezes nos deparamos com pessoas que escolhem bases tóxicas – um racista, por exemplo. Por mais que seu preconceito seja algo danoso, é inútil gritar com ele para que seja compreendida outra visão, já que dificilmente uma discussão acalorada o faz mudar de ideia. Entretanto, a conversa amigável e questionamentos deixados cuidadosamente pelo caminho podem surtir mais efeito: deixa-se o protagonismo de uma nova postura para o agente da intolerância. Para muitos ativistas, é difícil entender a lógica de um tratamento "suave" para o dito opressor; contudo, o radicalismo do discurso é ainda mais ineficiente. Numa situação de extrema agressividade, a resposta enfática e enérgica é realmente necessária; contudo, quando se passa para um cenário no qual a intervenção pode ser feita sem ânimos exaltados, a conduta pacífica é mais fértil. Por pacífica, aponto a ausência de violência - inteligência, ironia e lógica são o contraponto perfeito para qualquer fundamentalismo. É da natureza humana a defesa contra o questionamento, tido como “ataque”, e por isso mesmo é essencial a calma daqueles que querem intervir na postura do próximo positivamente.

Voltemos ao restaurante daquele sábado à noite. Debrucemo-nos sobre o rapaz que discorda do vegetarianismo. Brincando de Deus – poder concedido ao escritor em seu microcosmo particular – mudarei a abordagem da cena. Agora, ele muda de lugar na mesa – senta-se ao lado da moça – e indaga, neutro, sobre os hábitos dela.

É comum que os escultores em geral sintam medo de expor suas obras, temendo eventuais ataques. É usual que sonhos e ideais sejam encapsulados e escondidos para não serem atingidos pela obrigação velada de permanecer-se na área de segurança delimitada pelo cotidiano insosso.

Mas a moça não fará isso, porque pressente a sinceridade do interesse. Assim, ela faz algo na maioria das vezes impensável: permitir que ele vislumbre o castelo.

Ele, firme, aponta pontos instáveis na estrutura; ela, surpresa, defende as imperfeições. Lado a lado, atravessam a arquitetura e tecem toda sorte de comentário. Não é que ela mude de ideia; o tempo é finito, e o rapaz se vai. Contudo, a voz dele ainda ecoará pelos cômodos vazios, e ela nunca mais olhará para as linhas tortas sem questioná-las. Provavelmente num momento de distração – ônibus cheio, ciclovia vazia – ela vá refugiar-se em devaneios, e neles será capaz de estudar sua criação por ângulos antes esquecidos. E, sozinha – mas após uma intervenção externa – ela será capaz de melhorar seu castelo. Não por imposição, mas porque a compreensão de uma melhoria num dos sustentáculos de sua alma tem um apelo irresistível.

O termo “ganhar uma discussão” deveria reverberar em todos os ouvidos como o absurdo que é. Pode-se afirmar de forma desleixada que todo o conhecimento adquirido pelo homem está ao alcance de um botão; a informação mais acessível, entretanto, não costuma ser utilizada como enriquecimento e sim como vitrine de argumentos. Basta deitar os olhos sobre um resumo, absorvê-lo de forma rasa e assumir uma postura arrogante: o tom de voz mais alto é o vencedor. Vencedor de uma disputa que não tem outro objetivo senão a auto-afirmação, o autoritarismo e um inútil sentimento de superioridade, a vã vaidade daqueles que passam a vida sem interrogações, seguindo regras que mal compreendem e sentindo-se desconfortáveis quando têm a ordem rotineira quebrada. A democracia é defendida em tom autoritário, e assim se esquece que o âmago da liberdade é a aceitação: primeiramente de nós mesmos, e, depois, do próximo.

A intervenção pacífica é o melhor caminho, pois engatilha revoluções de dentro para fora. Talvez seja meu amor pelas utopias que me permita acreditar num futuro mais democrático, menos dogmático. Futuro no qual as pessoas possam ouvir umas às outras sem medo do quão loucas ou deslocadas possam parecer, e sem serem de fato julgadas incessantemente por outros que têm como único benefício disso a arrogância infrutífera.

Não lamento tanto pelos destruidores de castelo de areia – esses normalmente já se blindaram contra minhas palavras. Aliás, se há algo que o tempo me ensinou é que as pessoas possuem o curioso hábito de enxergarem apenas o que querem (e quando lhes interessa). Meu lamento é por todas as vozes que se calam por medo da repreensão. Sonhos foram engaiolados, e os próprios sonhadores acostumaram-se ao conforto da prisão que criaram.

Foi-se meu tempo de resignação e silêncio - acostumei-me a deixar para trás os mísseis, escavadeiras e bombas atômicas lançados pela inflexibilidade cega. Prefiro carregar comigo a vitória de cada semente de incerteza que, de forma delicada, deixei na cabeça daqueles que se dispuseram a ouvir-me. Levo, também, cada ensinamento com o qual fui presenteada ao conhecer opiniões divergentes. Do tirano ao submisso, do alienado ao fatalista, da senhora do ônibus ao palestrante de sorriso falso: cada um deixou comigo uma parte de si, e para isso foi necessário apenas contemplar a diversidade de interpretações possíveis sobre a imensidão da vida. Se mudar o mundo é um clichê barato, ainda assim é de um idealismo inofensivo pelo qual vale a pena lutar.

E, caso alguém discorde, pode sentir-se à vontade para dividir um pedaço de torta de cereja e explicar-me minha inconsistência. Meu castelo de areia é firme, mas sempre dá as boas-vindas a um visitante em missão de paz.

sábado, 20 de setembro de 2014

Nota de uma [suposta] virose


Às vezes é difícil entender as engrenagens que movimentam os microcosmos de cada um.

De quem se espera compreensão e cumplicidade, vem os ataques e as acusações ("mesquinhez e egoísmo", "insensibilidade e arrogância").

Do que se espera o mínimo de colaboração - e por que não o próprio corpo? - vem a derrota após horas e horas de estudo, estresse, apetite perturbado, sono prejudicado.

Faz quatro dias que não lembro o sabor da saúde regular, que não sei o que é o conforto de não sentir a dor física impregnando todos os meus sentidos. Mas há meses suporto minha deterioração, exigindo sempre mais, deixando-me conduzir por discursos de invencibilidade.

"Perdeu 11 quilos? É fácil, você tem 18 anos. Estuda onze horas por dia? Devia estudar mais, não tem casa pra sustentar. Trabalha duas vezes por semana? Tão pouco, nem devia cansar. Problemas pessoais? Todo mundo tem. Dorme mal? Eu também, problema seu."

Mas pior que a traição dos que amamos é a traição do próprio corpo, capaz de engaiolar-nos perante qualquer passo em falso.

Nada como analgésicos que não funcionam para lembrar que nem tudo é decepção, coração partido, alma escorraçada.

Às vezes é dor literal e não-literária. Órgãos, sintomas, carne, pele e entranhas. Simples assim.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Lógica de Réveillon

Começarei 2014 publicando o texto que escrevi no finzinho de 2013 (: Espero que leitores ocasionais perdoem o singelo atraso, e espero também escrever mais - e melhor - nesse ano que nasce.


Fiquei um bom tempo pensando se deveria escrever esse texto, porque mensagens de fim de ano costumam cair em clichês e eu, particularmente, não sou grande apreciadora deles. Contudo, as palavras mais insistentes não costumam calar-se mediante lógicas e bons argumentos: elas simplesmente saltitam ao redor do meu cérebro e clamam por liberdade. Aqui está, assim, um tanto de pensamentos tortos que resolvi compartilhar.

Não gosto muito do Natal. A atmosfera consumista, a cidade lotada, o trânsito impaciente e principalmente a falsa prosperidade que todos se sentem obrigados a exibir drenam minha empolgação. Não chego a ser o Scrooge de Dickens (você o conhece, é o velhinho sovina e amargo que é visitado pelos três espíritos), mas a data não tem, para mim, a magia da virada do ano.

Não sou supersticiosa, mas acredito no poder da renovação. Acho que a proposta de deixar coisas ruins para trás e acreditar num futuro melhor é cativante. Nos segundos de contagem regressiva que antecedem a virada, o ar se enche de expectativa e é como se houvesse uma conexão entre as pessoas: é loucura pensar que seres humanos tão problemáticos, errôneos, imperfeitos e dissonantes consigam essa abstrata harmonia de pensamentos. É algo único.

Mesmo assim, às vezes sinto que basta acabar a queima de fogos e, voilá, todos os sonhos afagados antes da meia-noite se esvaem, como se a magia realmente tivesse se esgotado e a realidade cobrasse os pés no chão e a monotonia rotineira. Só que não gosto de desejos vazios, não gosto de crenças despedaçadas. Sendo assim, fujo dos simples votos de saúde, paz e amor.

Mais que saúde, eu desejo a você toda a paciência necessária para frequentar os médicos necessários e, indo além, seguir suas recomendações da melhor forma possível.

Mais que paz, desejo a você a sabedoria necessária para resolver seus problemas da forma mais simples possível, e para descobrir o momento certo para ouvir e o momento certo para falar. O controle mental para engolir sapos e, mesmo assim, não se intoxicar com veneno alheio.

Mais que amor, desejo a você que consiga demonstrar seus sentimentos de forma serena e que se deixe ser amado sem os tantos obstáculos que, às vezes, criamos para nos defender.

E principalmente: mais que renovação, desejo a você a força necessária para largar os velhos hábitos prejudiciais, e para transformar os devaneios mais improváveis em projetos plausíveis. As correntes que nos amarram, geralmente, são mais vulneráveis do que pensamos. É difícil admitir erros e defeitos, é quase impossível modificar-se, mas a simples percepção de nossas fragilidades às vezes basta para que consigamos evoluir.

Se há alguém que pode melhorar sua vida, nunca deixe de acreditar que essa pessoa é você. Às vezes somos tentados a terceirizar a culpa quando a simples e dolorosa verdade é que os operadores de qualquer mudança somos nós mesmos.


E um feliz 2014 a todos!

terça-feira, 23 de julho de 2013

(Re)Começo

Foto retirada da página do Facebook "Viver em Santos", minha cidade

Sou péssima em titular coisas. Ao gastar horas a fio pensando num nome para esse meu espaço, só conquistei uma dor de cabeça e uma lista considerável de palavras a serem usadas. Após Olhos de Abismo, Doce Inconstância e Sonhos de Areia terem sido descartados, perguntei descompromissadamente ao meu irmão de 5 anos que nome eu deveria dar ao meu blog. Após 15 segundos da mais profunda reflexão infantil, ele arregalou seus olhos negros, e disse com ar inocente: "Mares de Marina!". Misturei minha humilhação intelectual ao orgulho de irmã mais velha, beijei sua bochecha redonda e saí saltitando, não sem antes ouvir a pergunta direcionada a minha mãe do que seria um blog, afinal de contas, e por que ela está feliz assim.

Isto soa como um começo, mas deve ser considerado um recomeço. O momento atual encerra o No Rose Without A Thorn, meu antigo espaço virtual. Com ele, conquistei diversos prêmios e publiquei mais que textos - amadureci. As palavras a princípio desajeitadas, as frases cheias de gírias e os planos ingênuos ganharam forma e gosto. Percebi, amargurada, que o blog como um todo era mera transição, e eu não tinha mais prazer em exibi-lo, carregá-lo livremente. Decidi num impulso afogar algumas lembranças (in)significantes e partir para um novo lugar.

Cansei-me de promessas e julgamentos vazios. Eu poderia depositar aqui todas as expectativas flutuantes que tenho quanto a este projeto, contudo acredito que a possível frustração futura não valeria esta ação. Assim, apenas arrisco-me a dizer que a primeira fase do Mares de Marina será uma reciclagem do que eu era para o que acredito ser. Textos que me tocarem serão reformulados aqui, e caso alguém demonstre profundo interesse por meu passado nebuloso, posso considerar uma reativação do NRWAT, como souvenir. Depois deste suposto acontecimento, continuarei minha árdua jornada de pseudo-escritora-de-dezessete-anos-cheia-de-coisas-para-fazer-e-além-de-tudo-em-ano-de-vestibular.

Essa é a ideia geral, e qualquer comentário construtivo será bem-vindo em minha caminhada.

Não tenho ilusões quanto ao andamento do barco. Talvez amanhã eu considere meus textos mal estruturados e tortos, e se for o caso, desviarei-me novamente da rota esperada. Essa é a graça de viver um dia de cada vez, ou planejando tão longe que a influência de um pensamento atravessado possa mudar bruscamente o futuro idealizado.

Sou perfeccionista, e não publicando algumas postagens logo, enlouquecerei entre rascunhos que almejam melhoras tão infinitas quanto infinitesimais. Sei que nem tudo aqui terá qualidade, e talvez seja mera pretensão minha essa mania de passar o tempo todo rabiscando qualquer pedacinho de papel com palavras vãs. Basearei-me em Stephen King, porém: "Se você quer ser um escritor, deve fazer duas coisas acima de todas as outras: ler muito e escrever muito".

Atualmente, minha dúvida universitária baila entre os cursos de Direito, Letras, Sociologia e Filosofia, tendo maior chance o primeiro. Contudo, desde minha infância nunca tive dúvidas quanto ao meu amor pela leitura, e agora arrisco minha dignidade ao dizer que, mesmo conhecendo inúmeros autores superiores a mim, o sonho é maior que o bom senso. Prometo contentar-me com a redação de embalagens de sabão em pó, se for o caso, mas a grande questão é que, ignorando o valor de meus escritos, quero libertá-los dos tantos cadernos e documentos virtuais que os aprisionam.

Posso me afogar nesta frágil tentativa de esperança - sou uma pessimista nata - mas antes disso tentarei prosseguir com meu sonho de menina, que sempre encontrou nos livros o conforto, e nas palavras a liberdade. O tempo será um inimigo menor que meu prazer ao apertar o botão laranja de "publicar", ao dar-me conta de que minha voz pode (sim!) ser mais importante que algumas imposições rotineiras como dormir e estudar assuntos que serão úteis apenas para uma prova absurda e definitiva, ao cabo deste ano.

Obviamente, espero agradar um eventual e desatento leitor que pare por aqui. Acima de tudo, entretanto, minha luta será contra o espelho, numa busca por melhor vocabulário, ideias aprazíveis e sorrisos momentâneos. Talvez eu fale sozinha, e por este mesmo motivo gostaria de uns assuntos agradáveis, umas histórias engraçadinhas e um punhado de melancolia, pois seria terrível entediar-me comigo mesma.

Assim, acabo otimista esta primeira postagem. Eu poderia escrever mais inúmeros parágrafos sobre quem sou - ou acredito ser, corrige-me Rousseau - mas para conhecer-me, os textos bastarão. Nessa minha trajetória humana, e por isso naturalmente egocêntrica, trarei mais de mim nas entrelinhas do que seria saudável. Escrever é isso, traduzir-se sorrateiramente, entregar-se mesmo quando em fingimento. Um vício, permita-me a ousadia.

Encerro por aqui. Bem-vindo aos meus mares, e que nos acompanhe a boa sorte.